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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Papa apresenta maior reforma do Vaticano

A exortação apostólica refere-se a uma “conversão do papado” e questiona uma “centralização excessiva” que complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária.
Texto percorre 288 pontos, divididos em cinco capítulos, e conclui-se com uma oração a Maria, ‘Mãe da Evangelização’.
O Papa Francisco publicou hoje a exortação apostólica, ‘Evangelii Gaudium’ (a alegria do Evangelho), primeiro documento do gênero escrito por si na totalidade, em que apresenta o projeto de uma “nova etapa de evangelização”, nos próximos anos.
“Espero que todas as comunidades se esforcem por implementar os meios necessários para avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão”, escreve, no documento divulgado pela Santa Sé.
O texto retoma as principais preocupações manifestadas pelo Papa desde o início do seu pontificado, após suceder a Bento XVI em março deste ano, e fala numa Igreja “em saída” e atenta às “periferias”, bem como a “novos âmbitos socioculturais”.
A exortação apostólica refere-se a uma “conversão do papado” e questiona uma “centralização excessiva” que complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária.
O texto desenvolve o tema do anúncio do Evangelho no mundo de hoje, recolhendo o contributo dos trabalhos do Sínodo que se realizou no Vaticano de 7 a 28 de outubro de 2012 com o tema ‘A nova evangelização para a transmissão da fé’.
Ao contrário do que é habitual, a exortação não se assume como ‘pós-sinodal’ por ultrapassar o âmbito específico tratado na última reunião de bispos católicos.
Francisco usa um “neologismo” para afirmar que os católicos “primeireiam, tomam a iniciativa”, num "estado permanente de missão" para enfrentar os riscos da “tristeza individualista" no mundo de hoje.
Essa missão, acrescenta, origina "novas formas", "métodos criativos", uma "reforma das estruturas" e uma Igreja com “portas abertas”.
"A evangelização também implica um caminho de diálogo", que abre a Igreja à colaboração com todas as realidades políticas, sociais, religiosas e culturais.
O Papa repete o desejo de “uma Igreja pobre”, "ferida e suja” após sair à rua, porque “uma fé autêntica – que nunca é cômoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores”.
“Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos”, adverte.
Francisco deixa várias indicações para o interior das comunidades católicas, alertando para um "pessimismo estéril" e para os que ficam “inflexivelmente fiéis a um certo estilo católico próprio do passado".
A exortação sublinha a necessidade de fazer crescer a responsabilidade dos leigos, mantidos "à margem nas decisões" por um "excessivo clericalismo", bem como a de “ampliar o espaço para uma presença feminina mais incisiva”.
O Papa denuncia o atual sistema econômico, preso a um "mercado divinizado", e lamenta os "ataques à liberdade religiosa", em particular os casos de perseguição aos cristãos.
Francisco deixa claro que a Igreja não vai mudar a sua posição na defesa da vida e pede ajuda para as vítimas de tráfico e de novas formas de escravidão.
O texto percorre 288 pontos, divididos em cinco capítulos, e conclui-se com uma oração a Maria, ‘Mãe da Evangelização’.
 “O entusiasmo na evangelização funda-se nesta convicção: temos à disposição um tesouro de vida e de amor que não pode enganar, a mensagem que não pode manipular nem desiludir”, escreve o Papa.

Agencias de Notícias 

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