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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Vergonha que não tenho de ser nordestina

Cultivado entre os cascalhos do chão seco e as cercas de aveloz que se perdem no horizonte, cresceu, forte e robusto, o meu orgulho de pertencer a esse pedaço de terra chamado Nordeste.
Sou nordestina. Nasci e me criei no coração do Cariri paraibano, correndo de boi brabo, brincando com boneca de pano, comendo goiaba do pé e despertando com o primeiro canto do galo para, ainda com os olhos tapados de remela, desabar pro curral e esperar pacientemente, o vaqueiro encher o meu copo de leite, morninho e espumante, direto das tetas da vaca para o meu bucho.
Sou nordestina. Falo oxente, vôte e danou-se. Vige, credo, Jesus-Maria e José! Proseio com minha língua ligeira, que engole silabas e atropela a ortoépia das palavras. O meu falar é o mais fiel retrato. Os amigos acham até engraçado e dizem sempre que eu “saí do mato, mas o mato não saiu de mim”. Não saiu mesmo! E olhe: acho que não vai sair é nunca!
Sou nordestina. Lambo os beiços quando me deparo com uma mesa farta, atarracada de comida. Pirão, arroz-de-festa, galinha de capoeira, feijão de arranca com toucinho, buchada, carne de sol… E mais uma ruma de comida boa, daquela que, quando a gente termina de engolir, o suor já está pingando pelos quatro cantos. E depois ainda me sirvo de um bom pedaço de rapadura ou uma cumbuca de doce de mamão, que é pra adoçar a língua. E no outro dia, de manhãzinha, me esbaldo na coalhada, no cuscuz, na tapioca, no queijo de coalho, no bolo de mandioca, na tigela de umbuzada, na orêa de pau com café torrado em casa!
Sou nordestina. Choro quando escuto a voz de Luiz Gonzaga ecoar no teatro de minhas memórias. De suas músicas guardo as mais belas recordações. As paisagens, os bichos, os personagens, a fé e a indignação com que ele costurava as suas cantigas e que também são minhas. Também estavam (e estão) presentes em todos os meus momentos, pois foi em sua obra que se firmou a minha identidade cultural.
Sou nordestina. Me emociono quando assisto a uma procissão e observo aqueles rostos sofridos, curtidos de sol do meu povo. Tudo é belo neste ritual. A ladainha, o cheiro de incenso. Os pés descalços, o véu sobre a cabeça, o terço entre os dedos. O som dos sinos repicando na torre da igreja. A grandeza de uma fé que não se abala.
Sou nordestina. Gosto de me lascar numa farra boa, ao som do xote ou do baião. Sacolejo e me pergunto: pra quê mais instrumento nesse grupo além da sanfona, do triangulo e da zabumba? No máximo, um pandeiro ou uma rabeca. Mas dançar ao som desse trio é bom demais. E fico nesse rela-bucho até o dia amanhecer, sem ver o tempo passar e tampouco sentir os quartos se arriando, as canelas se tremelicando, o espinhaço se quebrando e os pés se queimando em brasa. Ô negócio bom!
Sou nordestina. Admiro e me emociono com a minha arte, com o improviso do poeta popular, com a beleza da banda de pífanos, com o colorido do pastoril, com a pegada forte do côco-de-roda, com a alegria da quadrilha junina. O artista nordestino é um herói, e nos cordéis do tempo se registra a sua história.
Sou nordestina. E não existe música mais bonita para meus ouvidos do que a tocada por São Pedro, quando ele se invoca e mete a mãozona nas zabumbas lá do céu, fazendo uma trovoada bonita que se alastra pelo Sertão, clareando o mundo e inundando de esperança o coração do matuto. A chuva é bendita.
Sou nordestina. Sou apaixonada pela minha terra, pela minha cultura, pelos meus costumes, pela minha arte, pela minha gente. Só não sou apaixonada por uma pequena parcela dessa mesma gente que se enche de poderes e promete resolver os problemas de seu povo, mentindo, enganando, ludibriando, apostando no analfabetismo de quem lhe pôs no poder, tirando proveito da seca e da miséria para continuar enchendo os próprios bolsos de dinheiro.
Mas, apesar de tudo, eu ainda sou nordestina, e tenho orgulho disso. Não me envergonho da minha história, não disfarço o meu sotaque, não escondo as minhas origens. Eu sou tudo o que escrevi, sou a dor e a alegria dessa terra. E tenho pena, muita pena, dos tantos nordestinos que vejo por aí, imitando chiados e fechando vogais, envergonhados de sua nordestinidade. Para eles, ofereço estas linhas.
Sheila Raposo – Jornalista
Postado por Robson Pires

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Filme sobre Lula é escolhido para tentar indicação ao Oscar

O filme "Lula, o Filho do Brasil", de Fábio Barreto, foi escolhido para disputar pelo Brasil uma das indicações ao Oscar 2011, informou nesta quinta-feira o Ministério da Cultura.
Divulgação
Divulgação
Filme de Fábio Barreto concorre a uma vaga na disputa
A cinebiografia do atual presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva tentará concorrer a uma das cinco vagas na disputa pelo Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. A inesperada escolha da Comissão de Seleção do MinC foi divulgada na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.
Veja também:

Uma enquete realizada pelo Ministério através de seu site oficial havia indicado o filme "Nosso Lar" como o favorito do público para a corrida ao prêmio, seguido por "Chico Xavier", "Os Famosos e os Duendes da Morte", "O Grão" e "Antes que o mundo acabe".

"Lula, o Filho do Brasil" estava apenas em sexto lugar na pesquisa, e era uma improvável escolha entre os 23 filmes selecionados para a disputa. A pesquisa foi realizada entre os dia 8 e 20 de setembro.
A comissão de seleção era formada por membros do Ministério da Cultura, da Secretaria do Audiovisual, da Agência Nacional de Cinema do Brasil e da Academia Brasileira de Cinema.
A lista dos indicados ao Oscar 2011 será divulgada no dia 25 de janeiro, e a cerimônia de entrega está marcada para 27 de fevereiro.

sábado, 27 de março de 2010

Hoje é dia de...

Circo ! Dia 27 de março é o dia nacional do circo. Quem nunca se encantou com a habilidade de um malabarista, com o equilíbrio de um trapezista ou com as travessuras de um palhaço? O circo mudou muito desde as primeiras apresentações há milhares de anos e agora se moderniza.


Mas, quando surgiu o circo ?

Não há uma data precisa que determine a origem exata do circo. Alguns registros indicam que as primeiras exibições circenses aconteceram na China.



Mas e o circo que conhecemos hoje? Quando apareceu?

 
No século XVIII, grupos de saltimbancos da França, Espanha e Inglaterra já apresentavam simulações de combates e equitações em espaços públicos.

O Astley's Amphitheatre foi o primeiro circo europeu moderno – com picadeiro, arquibancada e outros números. Foi inaugurado no ano de 1770, em Londres, na Inglaterra, por um oficial inglês da Cavalaria Britânica, chamado Philip Astley. O caráter militar dos primeiros espetáculos logo foi deixado de lado por não atrair o público e em seu lugar foram contratados os saltimbancos, equilibristas, saltadores e palhaços.


E quando se fala de circo moderno, o que vem na sua cabeça ?

É claro ! O Cirque du Soleil que nasceu em 1982 em Quebec, Canadá e hoje a cada espetáculo sobem ao palco mais de 55 artistas das mais variadas nacionalidades, entre acrobatas, músicos, cantores, palhaços e outros personagens, que encantam o público de todas as idades. aplaudido por milhões de espectadores de todo o mundo, a companhia canadense Cirque Du Soleil é uma referência de circo moderno que não usa animais nas suas apresentações.


 
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