i

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Walfredo vira praça de guerra


Situação de calamidade aumenta no maior hospital do estado. Desabastecimento é crítico 

Foto: Jaedson Nascimento/DN/D.A Press

Ocenário lembra o de uma guerra civil. No maior hospital público do Rio Grande do Norte, o Walfredo Gurgel, em Natal (RN), a calamidade aumenta a cada novo plantão. Os médicos plantonistas que atendem no Pronto-Socorro Clóvis Sarinho denunciaram problemas graves no plantão tumultuado dos últimos dias, especialmente na segunda-feira, 13. Problemas que vão desde a falta de respiradores suficientes e de macas altas, o que obriga os profissionais a fazerem pelo menos metade das intubações no chão, até a falta de dreno torácico, equipamento básico que serve para drenar gases ou secreções nos pacientes. Naquele plantão noturno, havia 20 pacientes aguardando atendimento, e apenas um ortopedista durante toda a madrugada. Um dos médicos chegou a sangrar porque teve que trabalhar cirurgiado. Outro relata que conviveu parte do expediente com a indesejável companhia de um cadáver no setor de politrauma. O paciente morreu por falta de um ventilador; também não havia maqueiros para levar o corpo ao necrotério. 

A mesma situação se repete ao longo da semana. Ontem o médico Sebastião Paulino relatou no Twitter a situação de seu plantão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Logo que chegou, às 19h do dia anterior, lhe informaram que faltava remédio. "Pedi que a farmacêutica providenciasse, ainda que a título de empréstimo e em caráter emergencial, medicamentos para sedação. Não havia droga para sedar doentes. Doentes com agitação psicomotora, muitos gemidos e ranger de dentes. Dor e sofrimento em demasia", contou. "O clima de indignação toma conta da unidade. Muitos dos profissionais, por timidez ou receio, não se pronunciam. Registram em prontuários". Na sexta-feira da semana passada, o Walfredo recebeu apenas cinco frascos de insulina, o que só foi suficiente para três dias.

Diário de Natal

Nenhum comentário: