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sábado, 3 de dezembro de 2011

"O 13º é uma chance de ouro para o equilíbrio financeiro"

Andrielle Mendes - Repórter/Tribuna do Norte

O pagamento da primeira parcela do 13º salário esta semana e a proximidade das festas de fim de ano formam uma combinação que estimula a população a sair às compras, aproveitando o dinheiro extra. Para o coordenador dos cursos de Gestão Financeira e Ciências Contábeis da Veris IBTA Metrocamp e do Grupo Ibmec Educacional, Fabrício Pessato, é preciso, entretanto, reservar parte desses recursos para as despesas de início de ano, como IPTU, IPVA, matrícula e material escolar. Antes de decidir quanto do 13º irá para essas despesas, ele recomenda que se faça uma estimativa desses gastos. Para quem está endividado, a recomendação é "apertar um pouquinho no fim de ano e se programar para que 2012 seja sem dívidas". Confira essas e outras orientações na entrevista a seguir:

DivulgaçãoFabricio Pessato: O final de ano é uma oportunidade excelente para acertar a situação financeira, porque as pessoas podem usar o 13º para quitar dívidas. Cuidado com as compras parceladas.Fabricio Pessato: O final de ano é uma oportunidade excelente para acertar a situação financeira, porque as pessoas podem usar o 13º para quitar dívidas. Cuidado com as compras parceladas.

A primeira parcela do 13º foi paga recentemente. O que o consumidor deve fazer com o dinheiro extra? Gastar, poupar, investir?

Se ele não tem dívidas pesadas, pode fazer um pouco de cada. Dividir o dinheiro do 13º em quatro partes, para: quitar dívidas passadas; enfrentar os gastos do início de 2012; poupar recursos para o longo prazo e gastar nas festas de fim de ano. Nessa ordem, priorizando o equilíbrio financeiro. 

O consumidor deve guardar uma quantia para as despesas de início de ano, como IPTU, IPVA, matrícula, material escolar?

Sem dúvida. Esses gastos costumam ser a verdadeira ressaca financeira, após a bebedeira das festas de fim de ano.

Quanto (em %) ele deve reservar do  13º para estas despesas?

Depende. O ideal é fazer uma estimativa desses gastos, colocá-la nas projeções do orçamento familiar para 2012, somá-las e ver quanto "vai faltar". Para quem já está com o orçamento equilibrado, não será necessário dispor de tantos recursos. Agora, quem está endividado, é melhor apertar um pouquinho no fim de ano e se programar para que 2012 seja sem dívidas.

Poderia exemplificar o impacto que impostos como IPTU e IPVA tem no orçamento familiar?

No exemplo abaixo, uma família tem renda mensal de R$2.600 e gastos equilibrados em torno de R$2.450, sobrando cerca de R$150 por mês. Ao entrarem os gastos extraordinários de início de ano, o orçamento "estoura" e a família terá de pagar juros do cheque especial até maio de 2012 (se não tiver poupado os R$150). O total dos gastos extraordinários de início de ano foi de R$2.670. Se a família tivesse poupado o 13º, praticamente não teria de pagar juros. Se a família tivesse poupado os recursos, poderia, inclusive pagar IPTU, IPVA e material escolar à vista, com descontos de até 6% e, neste caso, teria poupado R$160 a mais.

O que o consumidor deve fazer para que as dívidas de fim de ano e as despesas do próximo não extrapolem seu orçamento?

O final de ano é uma oportunidade excelente para acertar a situação financeira, porque as pessoas podem usar o 13º para quitar dívidas. Cuidado com as compras parceladas. Muitas vezes, as pessoas se esquecem que a fatura do cartão de crédito chega um dia. E pequenas compras parceladas, juntas, podem se tornar uma grande despesa. Cuidado, também, com as despesas de início de ano: IPTU, IPVA, licenciamento, material escolar... Tudo isso somado pode levar as finanças pessoais à ruína. E não tem nada pior do que começar o ano devendo.

Que dica você daria para quem já está no vermelho? 

Para quem está no vermelho, o ideal é fazer o famoso orçamento familiar. Neste orçamento, faça uma lista dos gastos por ordem de prioridades: primeiro os gastos prioritários e pesados, como moradia e transporte; por último, lazer e diversão. Faça uma programação de longo prazo, identificando o que pode ser "cortado" desses gastos, até que a situação financeira se normalize. Novamente, tente usar o 13º para quitar dívidas antigas. O 13º é uma chance de ouro para o equilíbrio financeiro e que, muitas vezes, as pessoas desperdiçam em festas em presentes.

Renegociar dívidas antigas é uma boa opção?

Sempre. Troque dívidas cujas taxas de juros são elevadas, tais como o cheque especial e o cartão de crédito. Aliás, jamais fique devendo no cartão de crédito. Chegou a fatura: pague o valor total. Não deixe valores no rotativo. Se ver que a conta vai "estourar", os bancos têm um produto bancário chamado CDC (crédito direto ao consumidor). As taxas de juros do CDC são muito mais baixas e a dívida pode ser parcelada em até 36 meses.  Mas cuidado novamente. Não deixe que o CDC se torne mais uma dívida a pagar, junto com cheque especial, cartão de crédito, carnês de compra, etc. Antes de fazer o CDC, faça uma programação financeira no seu orçamento familiar para não cair de novo na armadilha do endividamento.

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