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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dilma e Serra decidirão eleição para presidente no segundo turno


Com 99,99% das urnas apuradas, petista obtém 46,90% e Serra, 32,61%.

Eleitores voltarão às urnas em 31 de outubro para escolher presidente.

Do G1, em Brasília e em São Paulo
A eleição presidencial será decidida em segundo turno entre os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), de acordo com os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Com 99,99% das urnas apuradas, na madrugada desta segunda (4), a petista tinha 46,90% dos votos válidos (sem considerar votos brancos e nulos) contra 32,61% do tucano.
A quantidade de votos a ser apurada não é mais suficiente para Dilma vencer no primeiro turno. Para se eleger em primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos.
De acordo com o TSE, com 99,99% das urnas apuradas, Marina Silva, do PV, registrava 19,33% dos votos válidos, e Plínio de Arruda Sampaio, 0,87%.

Os eleitores terão que voltar às urnas no próximo dia 31 de outubro para decidir entre Dilma e Serra. O início da propaganda eleitoral do segundo turno no rádio e na TV está previsto para se iniciar na próxima terça-feira (5).
Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) ao votarem na manhã deste domingo, em Porto Alegre e em São Paulo,  respectivamenteDilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) ao votarem na manhã deste domingo, em Porto Alegre e em São Paulo, respectivamente (Foto: Paulo Pinto/AE e Rodrigo Coca/AE)
A candidata Dilma Vana Rousseff, 62 anos, é ex-ministra da Casa Civil. Na campanha eleitoral, contou com o engajamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo governo registrou recordes de aprovação – na última pesquisa Ibope, a avaliação positiva do governo alcançava 77%. Lula participou de vários comícios e declarou repetidamente o apoio à candidata, o que inclusive rendeu a ele multas por propaganda eleitoral antecipada.
Ela nasceu em 14 de dezembro de 1947 em Belo Horizonte (MG). No regime militar, atuou em organizações de esquerda clandestinas, foi presa e torturada. Filiou-se ao PT em 2001, após ter deixado o PDT. Formada em economia, Dilma foi secretária de estado no Rio Grande do Sul. Em 2005, sucedeu José Dirceu na Casa Civil, que deixou o cargo após denúncia de envolvimento no caso chamado mensalão, em que parlamentares teriam recebido dinheiro para votar a favor de projetos do governo.
Antes de tornar-se candidata, Dilma revelou que estava se submetendo a umtratamento contra um linfoma, câncer no sistema linfático, mas disse que já estar curada.

José Serra, de 68 anos, foi deputado federal, senador, ministro da Saúde e do Planejamento, prefeito de São Paulo e governador do estado.
Durante a campanha, afirmou que é mais preparado e experiente do que Dilma para assumir o cargo de presidente. Não criticou o presidente Lula, e disse que, se eleito, manterá os progressos obtidos pelo atual governo. Defendeu, no entanto, que as políticas sociais de sucesso foram iniciadas durante o governo FHC, antecessor de Lula.
José Serra nasceu em 19 de março de 1942 na capital paulista, é casado e tem dois filhos. É formado em economia e engenharia. Iniciou a vida política no movimento estudantil. Foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Durante o regime militar, passou 13 anos no exílio. Ajudou a fundar o PSDB no final da década de 80.
Apoios
Antes da deflagração da campanha, o presidente Lula se empenhou em montar uma grande aliança política para sustentar a candidatura de Dilma. Além da adesão de aliados históricos do PT, como PSB e PC do B, incorporou à coligação o PMDB, um dos maiores partidos do país.
PMDB indicou o vice de Dilma, o deputado federal Michel Temer, presidente da Câmara. Nos últimos dias de campanha, Lula chegou a dizer que esteve em mais eventos do que quando ele próprio foi candidato e disputou a reeleição, em 2006.
Em fevereiro deste ano, o instituto de pesquisa Ibope apontou Dilma com 25% das intenções de voto contra 36% de seu principal adversário, José Serra. Após o início oficial da campanha eleitoral, quando ela passou a ter a imagem colada à do presidente Lula, a candidatura decolou. No fim de agosto, ela atingiu 51% das intenções de voto contra 27% do tucano, o que indicava uma vitória no primeiro turno para a petista.

José Serra contou com o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) como aliado. Com alta aprovação, Aécio pediu votos para o correligionário no segundo maior colégio eleitoral do país. Serra fez aliança com o Democratas (DEM), que indicou o vice da chapa de Serra, o deputado federal Indio da Costa.
Figura importante do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não apareceu na campanha de Serra no primeiro turno. No começo, Serra chegou a usar imagens de Lula, mas, na reta final, o PSDB colocou na internet vídeos com ataques a Dilma.
Denúncias na campanha
A campanha eleitoral foi marcada por duas grandes denúncias. No começo de setemnbro, foi divulgado um esquema de vazamento de dados sigilosos na Receita Federal de pessoas ligadas ao PSDB. Veronica Serra, filha do principal adversário de Dilma, teve o imposto de renda acessado. A oposição culpou a campanha de Dilma pelo fato, mas ela negou relação edefendeu investigações sobre o assunto.
Duas semanas depois, às vésperas da votação em primeiro turno, surgiu uma nova denúncia: foram divulgadas suspeitas de tráfico de influência na Casa Civil, antes comandada por Dilma. A sucessora de Dilma, Erenice Guerra, antes auxiliar da então ministra, foi o alvo principal das acusações. Um empresário disse que o filho de Erenice cobrou propina para intermediar um contrato e indicou que o dinheiro iria para campanha da petista. Ela negou que houvesse vínculo entre as supostas irregularidades e sua campanha.
Após os escândalos, Dilma chegou a oscilar negativamente nas pesquisas de intenção de voto. Os episódios foram usados pela campanha do adversário José Serra. Se, no começo do horário eleitoral, Serra usou imagem de Lula na televisão e chegou a utilizar o nome do presidente em um jingle, o tucano passou a relembrar fatos críticos para o PT, como o escândalo do mensalão e passou a atacar a candidatura adversária.

Programas
No final da campanha, quem ganhou mais espaço e registrou crescimento nas pesquisas de intenção de voto foi a candidata do PV, Marina Silva. A ex-petista se colocou como uma "terceira via" para quebrar o que chamou de "plebiscito" entre Dilma e Serra. Uma das principais críticas de Marina contra os adversários foi o fato de os dois não terem apresentado programa de governo.
Novidade na eleição deste ano, os candidatos precisaram apresentar à Justiça Eleitoral, no registro da candidatura, documento com propostas de governo.
Dilma registrou um documento polêmico, aprovado em convenção do Partido dos Trabalhadores, que previa tributação de grandes fortunas, fim da criminalização de movimentos sociais, defesa da jornada de trabalho de 40 horas e combate ao monopólio dos meios de comunicação. No mesmo dia, o programa foi trocado por um mais ameno, exatamente o mesmo, mas sem os trechos que provocaram questionamentos.

Serra, por sua vez, protocolou dois discursos para apresentar suas propostas, o que também foi alvo de críticas. A campanha argumentou que o documento sintetizava o pensamento do candidato em várias áreas.

Marina Silva entregou documento em que se comprometia em manter a política econômica do país e ampliar os programas sociais.

Propostas
Durante toda a campanha do primeiro turno, a estratégia de Dilma foi garantir que, caso eleita, daria continuidade ao governo bem avaliado do presidente Lula. Ela propôs ampliar programas que se tornaram populares no atual governo, como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Prouni.
José Serra também pregou, na campanha do primeiro turno, a continuidade desses programas. Chegou a propor um 13º para o Bolsa Família. Uma das principais propostas, criticada pela campanha petista, foi ampliar o salário mínimo para R$ 600.

Confira as mulheres campeãs de votos para a Câmara Federal



Em seis estados, elas lideram a lista para o cargo de deputado federal.
Elas afirmam que propostas e histórico político ajudaram no desempenho.

Fernanda Nogueira e Mariana PasiniDo G1, em São Paulo
Ana Arraes, Dona Íris, Fátima Bezerra e Teresa Jucá foram campeãs de votos em seus estadosAna Arraes, Dona Íris, Fátima Bezerra e Teresa Jucá foram campeãs de votos em seus estados (Foto: Arquivo/Divulgação)
Em seis estados, mulheres que já têm experiência nas urnas encabeçaram a lista dos mais votados para a Câmara Federal. Elas dão crédito de suas conquistas para suas trajetórias políticas - nenhuma será estreante no Congresso - e também  para seus conjunto de propostas. Entre as campeãs de votos, há quem apresente para o eleitor o peso de um sobrenome já conhecido na política local.
CONFIRA O PERFIL DAS ELEITAS
Ana Arraes (PSB - PE)Ana Arraes (PSB - PE)
VOTAÇÃO: 387.581 votos (8,8%). Mãe do governador reeleito no estado, Eduardo Campos (PSB), e filha do ex-governador Miguel Arraes.
Dona Íris (PMDB - GO)Dona Íris (PMDB - GO)
VOTAÇÃO: 185.934 votos (6,44%). A deputada federal é casada há 42 anos com o candidato ao governo do estado, Iris Rezende.
Fátima Bezerra (PT-RN)Fátima Bezerra (PT-RN)
VOTAÇÃO: 220.355 votos (13,33%). Professora e pedagoga. Fez parte do movimento sindical e foi deputada estadual pelo PT em 1994 e 1998.
Teresa Jucá (PMDB -RR)Teresa Jucá (PMDB -RR)
VOTAÇÃO: 29.804 votos (14,16%). Deputada federal, prefeita de Boa Vista por três mandatos e secretária Nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades.
Marinha Raupp (PMDB) Marinha Raupp (PMDB-RO)
VOTAÇÃO: 100.522 votos (15,58%).  Deputada federal de Rondônia pelo PMDB. Esse é o quinto mandato de Marinha como deputada federal.
 A deputada Ana Arraes (PSB-Pernambuco), mãe do governador reeleito no estado, Eduardo Campos (PSB), e filha do ex-governador Miguel Arraes, admite que já esperava o bom resultado nas urnas. “Esperava que ia crescer. O povo dava sinais”, disse Ana. De acordo com a deputada, a grande votação de Campos, eleito com 82,83% dos votos, contribuiu para que toda a base aliada fosse bem votada. “Foi um governo aceito e elogiado”, disse.
Para aumentar a representação feminina na Câmara, que hoje não chega a 10% dos 513 deputados, Ana afirmou que as mulheres precisam se dispor à vida pública. “As mulheres precisam compreender a importância da vida política”, disse. Ana preferiu não dizer quanto gastou na campanha eleitoral.
A deputada Dona Íris (PMDB) é casada há 42 anos com o candidato ao governo do estado, Iris Rezende, que foi para o segundo turno com 36,37% dos votos contra 46,32% de Marconi Perillo, do PSDB. Íris já presidiu o PMDB nacional e estadual. Segundo a deputada, os gastos com a campanha foram de R$ 1,8 milhão, mas ela não considera a campanha rica. “Foi uma campanha nos parâmetros normais, não foi rica, foi criativa”, disse ela em entrevista ao G1.
A deputada disse defender uma reforma polícia para que se evite que personagens como Tiririca sejam eleitos. “Ele se apresentou como um personagem. Vai se apresentar assim na Câmara? Quanto menos artifícios tiver melhor”, afirmou.
A deputada Fátima Bezerra (PT-RN) celebrou a reeleição como reconhecimento de sua atuação na Câmara. Ela comemora o fato de ter ajudado a levar 13 escolas técnicas e uma universidade, a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), para o Rio Grande do Norte. “Antes, tínhamos apenas duas escolas técnicas”, afirmou. A deputada disse que atuará na promoção da reforma política. “É preciso haver financiamento público das campanhas. Está ficando insustentável enfrentar as campanhas políticas de hoje”, disse.
Com seus mais de 200 mil votos, a deputada puxou outra candidata pelo PSB à reeleição no estado, Sandra Rosado. Fátima disse que gastou cerca de R$ 400 mil na campanha.
Teresa Jucá, eleita deputada federal por Roraima, diz que o fato de ser ex-mulher do senador reeleito Romero Jucá não influenciou sua vitória. “Acho até desagradável uma comparação assim. Fui prefeita por dez anos, e agora volto com uma eleição consagrada. Não tem nada a ver uma coisa com a outra”, conta. “Nós somos do mesmo lado político e nos respeitamos muito. Assim como apoiei outros candidatos, ele me apoiou também. Mas o mérito é meu, é um reconhecimento justo”.
“Fiz uma campanha muito baseada no trabalho que já fiz como prefeita durante muitos anos. [Ter sido eleita] foi um reconhecimento desse trabalho”, disse, em entrevista ao G1. Ela disse que continuará apoiando José de Anchieta Junior (PSDB) no segundo turno para governador do estado. Teresa disse que pretende focar suas ações como deputada na questão da violência juvenil. “Me identifico muito com isso, é uma coisa que sei fazer. Quero me dedicar a essa área”, contou.
Marinha Raupp foi eleita deputada federal de Rondônia com 15,58% (100.522) dos votos válidos. Ela não sabe informar qual foi o gasto total de sua campanha, mas avalia que o resultado “não foi fruto” de sua campanha e sim de seu trabalho. No segundo turno para eleger o governador do estado, ela apoiará o candidato de seu partido, Confúcio Moura, que conseguiu 44 % dos votos válidos no domingo (3), contra o candidato do PPS, João Cahulla, que teve 37,12%.
Entre seus principais projetos, está a promoção do desenvolvimento sustentável na região. Para ela, a participação das mulheres na política é bem vista no seu estado. “Aqui no meu estado, na Amazônia em si, as mulheres são altamente respeitadas na participação política. Nós temos essa sensibilidade ao ver uma região como a nossa em construção”, conta.
Para ela, o fato de ser mulher do senador Valdir Raupp não influenciou o resultado das eleições. “Não fui lançada em contexto familiar. Fui descoberta pelo trabalho que já havia prestado”, conta. Esse é o quinto mandato de Marinha como deputada federal. Através de sua eleição, o deputado Marcos Rogério (PDT) também chegou à Câmara.
A lista das campeãs de voto ainda tem a deputada Manuela D'Ávilla (PCdoB), com 482.590 (8,06%). O G1 entrou em contato  com a eleita e aguarda retorno.
Fonte:G1

 
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