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quarta-feira, 19 de março de 2014

Del Monte vai demitir 6,2 mil trabalhadores no RN e Ceará

Vinícius Menna
repórter

Seis mil e duzentas pessoas deverão ser demitidas no Rio Grane do Norte e no Ceará com a saída da Del Monte Fresh Produce Brasil do mercado internacional de banana. Principal exportadora do produto em solo potiguar, a Del Monte informou que deverá manter em torno de 700 dos 6.900 empregados no RN e CE, corte de quase 90% no número de colaboradores. O número é equivalente a três vezes e meia o total de trabalhadores contratados por todo o setor agropecuário nos dois estados, em 2013, que foi de 1.806, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego. A empresa não detalhou em quanto tempo as demissões vão ocorrer nem o total de trabalhadores que serão dispensados apenas no RN.

césar alvesPlantação de bananas no RN: a Del Monte vai reduzir em 38% a área destinada ao cultivo da fruta, no Rio Grande do Norte e Ceará


No estado, a Del Monte mantém 10 fazendas na região do Vale do Açu com 1.450 hectares de área plantada. De acordo com o gerente geral da Del Monte no Brasil, Sérgio Camacho, com a mudança de estratégia, até julho de 2014 essa área para o plantio de banana será diminuída para 900 hectares, o que equivale a uma redução de 38%. Em 2013, a produção da multinacional no RN fechou em 3,5 milhões de caixas de 18 quilos de banana, sendo que 60% desse valor – 2,1 milhões de caixas – foi para o mercado externo.

Na última semana, a Del Monte já havia anunciado que deixaria de produzir para o mercado internacional. Entre os motivos apontados pelo gerente geral da companhia está a cobrança de taxa de 40% para a banana brasileira que é exportada aos países europeus, enquanto que concorrentes são isentos devido a acordos comerciais. 

Sérgio Camacho acrescenta entre os fatores negativos os custos que seriam altos com insumos no RN e CE, em comparação com outros países produtores que competem com a Del Monte, além de dificuldades na liberação de agroquímicos que em outros países não são proibidos, o que gera custos maiores do que os enfrentados pelos concorrentes.

Na opinião do gerente geral, uma solução possível seria a diminuição da taxa de importação do produto, o que poderia ser viabilizado com negociações entre o Mercosul e a União Europeia. “O ambiente não é positivo. A Del Monte não pode seguir arcando com essa situação negativa. Estamos gratos por estar aqui. Não se trata de uma crítica. É uma decisão. Já estamos aqui há 12 anos e podemos dizer que é muito complicado exportar do Brasil”, afirma.

Com a mudança, a estimativa do gerente geral é que a produção em 2014 chegue a um patamar de 2,25 milhões de caixas de 18 quilos de banana no RN, que serão distribuídos para a Grande São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas e Manaus. “Também estamos fazendo contatos para vender para a Bahia”, diz. A Del Monte planeja produzir coco nos 550 hectares que deixarão de ter bananas, ideia que ainda está em fase de estudo, segundo ele.

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