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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Em Ipanguaçu, premiado evento de incentivo à leitura chega à sua 4ª edição em escola municipal de assentamento rural




Localizada na zona rural de Ipanguaçu, no assentamento Tabuleiro Alto, distante pouco mais de 20 quilômetros do centro da cidade de Ipanguaçu, a Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira tem sido reconhecida e premiada nacionalmente por suas políticas de incentivo à leitura. Encerrando o mês de setembro, no qual se comemora a Semana Internacional do Livro. A escola desenvolveu a 4ª edição da sua “Semana de Línguas”, com o tema “De Caminha à Lobato: A evolução da história brasileira”.

O projeto é idealizado e coordenado desde o seu início pelo jovem professor de Língua Portuguesa André Magri, contando com total suporte da Prefeitura de Ipanguaçu, através da Secretaria Municipal de Educação. Além de fomentar a prática da leitura, o evento, realizado desde o ano de 2010, visa incentivar entre os alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental as práticas reflexivas de escrita e cultivar o apego pelas diferentes manifestações artísticas.

“O projeto nasceu em 2009, quando foram constatadas grandes deficiências na aprendizagem dos alunos. Observamos que havia um grande desapego aos estudos da sua língua materna, repulsa em relação às atividades de leitura e escrita e descrença no potencial transformador da escola em suas vidas”, relata. “Hoje os alunos dão testemunho de que a leitura tem mudado positivamente as suas vidas e visões de mundo, o que é mais gratificante que qualquer prêmio”, diz.

O tema desse ano, explica o professor, foi escolhido a fim de desafiar os alunos a não só terem prazer na leitura, mas, também, a estudarem os aspectos históricos, políticos e sociais que influenciam as produções literárias, como o colonialismo nos textos quinhentistas ou da ditadura militar na música modernista. Na programação, extensa e diversificada, participaram mais de 100 alunos de diversas escolas da Rede Municipal e, indiretamente, cerca de 700 crianças e adolescentes.

Representando no evento o escritor português Pero Vaz de Caminha, notabilizado como o autor da Carta a Dom Manuel I, testemunho do descobrimento do Brasil, o estudante Lisandro Henrique de Souza, de 11 anos, tornou-se um leitor voraz, graças aos incentivos recebidos em sala de aula.  “Sinto-me bem e orgulhoso de participar da Semana de Línguas e poder contar para outros alunos tudo o que conseguimos aprender através da leitura. Eu não ligava para essas coisas, mas comecei a me interessar quando entrei pro 6ª ano. Cresci como pessoa e comecei a querer ler mais e mais”, afirma, com brilho nos olhos.

A professora de Língua Portuguesa Angelina Luiza Neta, que levou seus alunos da comunidade rural de Língua de Vaca até Tabuleiro Alto, conta que é um grande desafio para os alunos apresentar e estudar as escolas literárias. “Iniciativas como esta são muito importantes no crescimento dos estudantes. O professor André está apresentando aos alunos nesta Semana de Línguas um assunto além do seu tempo, de Ensino Médio, o que é uma inovação. Estão de parabéns pela fidelidade na produção das salas que recontam as épocas. Esses momentos contribuem para o incentivo e envolvimento dos alunos, e é visível que eles já estão viciados de uma forma boa no mundo da leitura”, fala a professora.   

A aluna Lorena Estefany Frutuoso de 12 anos da comunidade de Arapuá, ficou impressionada com o que viu nas exposições. “Gostei das apresentações nas salas. Consegui aprender algumas coisas, como a história de Pero Vaz de Caminha. Foi muito bom ver as histórias contadas com as salas bem arrumadas”, relata a estudante.

“Ficamos felizes pela participação efetiva da comunidade escolar e pelos resultados alcançados ano após ano. Nossa ideia é ampliar, em breve, esta iniciativa, que é simples, mas que resulta em um ganho inimaginável para cada um dos alunos envolvidos”, disse a secretária de Educação de Ipanguaçu, Jeane Dantas.

“Para mim, enquanto educador é encantador chegar à 4ª edição da Semana de Línguas, ainda mais quando se olha para trás e percebe-se o que mudou, o que se transformou na vida dos nossos alunos. É simplesmente indescritível a emoção de poder ver no olhar, nas ações, no falar de cada aluno o seu amor pelos livros e pela leitura. Essa edição foi marcante, pois vem reafirmar o valor de uma educação que liberta e dá asas”, resume o professor André Magri.

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